segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Ratoeira auto-armável para camundongos, final séc. 19



Esta ratoeira artesanal pertenceu a minha bisavó Júlia Antônia da Silva, nascida em 1877, filha de Bento Antônio da Silva que era filho de Açoriano.
Só conseguia pegar pequenos ratos, os camundongos, só ratinho mesmo, porque ratão levava ou comia a ratoeira inteira!
O tamanho: altura de 24 cm, comprimento: 21 cm, largura 6 cm (240x210x60 mm), a entrada pro camundongo é de 4x5 cm (40x50 mm).
Acima da foto a direita a entrada da armadilha, sem a porta (que era feita de latão e não tenho mais, então coloquei uma de papelão para demonstração), que ficava levantada a espera da vítima, mas o que atraía o pequeno rato? Pequenas porções de queijo que eram colocados dentro dum recipiente, nos dois lados da entrada, com buraquinhos do lado de dentro e de fora, para o cheiro do queijo infestar as proximidades, veja na foto acima a esquerda, abaixo e a esquerda da ratoeira.
Além do queijo o convidado a entrar no "restaurante" já via um "cliente" bem no fundo da entrada, era um pequenino espelho (que não há mais), que refletia o coitado (que via a sí mesmo), e achando que um entrou numa boa, ele iria atrás, e assim que entrava, uma rasteira e fina folha de latão, fazia que a porta se fecha-se, e deixava o pobrezinho encurralado, e fazer o que a não ser ir para a frente, dai ele chegava perto do pequeno espelho (talvez percebe-se seu erro) e era obrigado a subir por um túnel envolto em arame, todo gradeado e quando passava por uma mini porta de folha, bem no meio, dai ela se fechava pela lei da gravidade e não tendo como descer mais, a não ser subir até uma pequena entrada que o levava ao "poço mortífero", e quando ele punha os pequenos pés da frente ali, acontecia um frio na barriga dele, é uma pequena rampa (veja foto acima a esquerda, ela já abaixada), e o camundongo caia num poço feito de latão (que foi afinado, batido a martelo), que está cheio de água, e o coitado não tendo como escapar, dentro d'água, cansado morria afogado.
No momento que o camundongo pisava na rampa e caia na água, a porta que tem um arame ou cordinha (não tenho mais) grudado acima dela, que leva a outra extremidade, que é uma alça de arame que se junta na rampa, esta junção, tipo uma mola, faz que se arme novamente a ratoeira, levantando novamente a pequena porta, para sem piedade, atrair mais um camundongo ao seu destino final, o poço com água.
Não sei quantos camundongos caberiam, mas haveria num certo momento, de um coitado, ou outros ficarem sobre os cadáveres dos seus semelhantes e nem quero imaginar o que poderia acontecer, se o dono do artefato, estivesse fora muitos dias, sinistro.

A turma tinha bastante criatividade na época, não havia muito para se fazer naqueles tempos!
Depois inventaram uma ratoeira "moderna" para os pobres camundongos, pegavam um penico de metal, que serviria como tampa, embaixo deste uma folha ou um bandeja fina de metal (sem degrau), e levantava um pouco o penico e punha entre ele a bandeja, uma tampa de caixa de fósforo, onde havia dentro desta um pequeno pedaço de queijo, seguro por um alfinete, mas este pedaço ficava na extremidade da caixinha que ficava pra dentro da armadilha, como segurava o urinol, a caixinha, bem na beirada, quando ele puxava o queijo, desarmava a armadilha, e no dia seguinte, o capturador, ou naquele momento, caso ouvia-se o barulho do metal, levava todo os artefatos para dentro dum tanque cheio de água, para afogar o coitado, mas antes para ter certeza que o bichinho estava dentro, tinha que sacudir bem, para ver se tinha pego o coitado mesmo, porque poderia ter se desarmado sozinha a engenhoca. Um dia armo uma e coloco a foto aqui desta armadilha de urinol !

2 comentários:

Vera Mossmann disse...

Oi. Adorei o texto ao mesmo tempo super explicativo e com uma boa dose de humor. Parabéns.

Zeca disse...

Agradeço o seu comentário, o que me dá mais ânimo a postar neste blog!